segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

E VEM UMA FOLHA



E vem uma folha rodopiando dourada e castanha ao mesmo tempo me faz pensar Outono, decadência, o que precede a velhice, as artrites, as artroses e as atrozes dores nas costas, nas cervicais, nos pés, nos tornozelos e noutras coisas mais. O medo da solidão.
Ah o medo da solidão! Das noites frias sozinhas e caladas. Das noites caladas em que as palavras não ressoam nas paredes nuas, das minhas mãos que já não têm as tuas, das bocas engelhadas, desdentadas. Das mulheres esventradas que entram paredes dentro como facas afiadas. Dos sonhos perdidos, dos pesadelos, dos gritos e dos grelos.
Crescendo nos vasos de terra estéril com desvelos de velhas a arrancar cabelos! O medo da falta do teu corpo sobre o meu a arrancar gemidos e gritos e pedidos. As asas de um corvo sobre a chaminé.
E os fantasmas que não arredam pé. E os gritos! Os gritos mudos que não dei. E todas as palavras que calei. Por não ter quem ouvisse, tudo !

3 comentários:

manuel marques disse...

Deve haver algum problema com as pessoas do nosso signo que de tão alegres caem em depressão e só se lembram das atrozes dores nas costas... porém ninguém como nós é capaz de gritar bem alto o quão bom é VIVER!!! Beijinhos!

João Crisostomo disse...

"Ah o medo da solidão!"

De tudo que escreveste, sei lá porque, é isto que me diz mais. E não é por inventariares este rol de desgraças que todos os dias me bate à porta. É algo mais profundo. Como um grito que não soltamos com medo, porque do outro lado os outros sabe-se lá se dão conta. E se não derem, já não podemos fingir que não sabemos.

JC

João Crisostomo disse...

Maio começa aqui
Exactamente a meu lado
Como o sorriso de quem passa
Olha sabe sorri
E não diz nada

Janus Wanderer
in, Ainda uma ultima palavra
1978